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Corte

(YBmusic – 2017)

Com menos de dois anos de existência, o projeto que ganhou nome de CORTE surgiu a partir do convite do baixista e produtor Marcelo Dworecki para a cantora e compositora Alzira E, com quem já tocava desde 2013. O repertório de CORTE apresenta 10 músicas, parcerias recentes da cantora com o poeta arrudA, com o músico compositor baiano Tiganá Santana e outras de sua autoria, todas inéditas. Dworecki chamou o baterista Nandinho Thomaz, o saxofonista e flautista Cuca Ferreira e o trompetista Daniel Gralha. Munidos de diversos pedais, Gralha e Cuca preenchem as faixas com temas, ruídos, texturas e sonoridades que se entrecruzam e dialogam, mas raras vezes se fundem em uma mesma melodia, como é usual nos naipes de sopros. Marcelo varia entre baixo e guitarra enquanto Alzira estreia como baixista. O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Minduca por Bruno Buarque, assistente Fernando Narciso, mixado por Victor Rice no copan, masterizado por Fernando Sanches no Estúdio El Rocha. Produção musical de Marcelo Dworecki e Alzira E.

Chegadas e Partidas

"Cheguei / E o começo nem é lugar", canta Alzira E no tema de abertura de seu novo projeto: CORTE. Nada mais preciso. Como a letra "a" que inicia seu nome, a primeira do alfabeto, Alzira E sempre está começando; chegando e partindo. É justamente o movimento que põe a artista em... movimento. Sua arte é irmã da invenção e da inquietude. E não só. O "E" saliente que finaliza seu nome, sugere sempre companhia.

O projeto CORTE foi concebido pelo músico e produtor musical Marcelo Dworecki, que já havia trabalhado com a cantora em seu álbum mais recente, "O que Vim Faz Aqui" (Traquitana Discos). A ideia era criar uma sonoridade pesada e roqueira que se adequasse às recentes composições de Alzira E. Para isso, Marcelo Dworecki (baixo e guitarra) reuniu os parceiros Cuca (sax e flauta), Daniel Gralha (trompete) e Nandinho Thomaz (bateria).

Além de cantar, Alzira E também toca baixo em alguns números com uma desenvoltura própria de quem compõe a partir desse instrumento; muitas de suas músicas têm como cerne a linha de baixo. No CORTE, as composições são cíclicas, sem um caminho harmônico definido. Os instrumentos de sopro não são tocados em naipe, Cuca e Gralha ficam propositalmente em lados opostos do palco. Também não chegam a ser solistas melódicos. Os músicos se destacam como criadores de climas, texturas, ruídos que sirvam de combustível para as invenções mântricas de Alzira E, que, como cantora, dá vazão à sua veia mais roqueira.

Marcelo Dworecki e Nandinho Thomaz, parceiros em vários projetos, formam uma base densa, em sintonia nas levadas mais caóticas. O barulho, o peso e os ritmos hipnóticos formam uma massa sonora que sustenta temas filosóficos profundos, cantados de forma pungente. Afiadas, as letras trazem em si um corte em potencial: questionamentos sobre as relações humanas que levem à transformação, ao movimento. O Corte inicia uma instigante parceria da artista com o compositor e cantor Tiganá, em "Cheguei", que abre o show, "Desmonte", "Boca" e "Dízima".

Há também parcerias inéditas com o poeta arrudA ("Não existo", "Javé", "Nada disso" e "Risco", essa última com a cantora e compositora Lucina) e com Itamar Assumpção ("Canta a alma").

Que o CORTE vá além da ruptura. Que seja partida, partilha!



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Ficha Técnica

Alzira E – voz e baixo
Nandinho Thomaz - bateria
Cuca Ferreira - sax barítono e flauta
Daniel Gralha - trompete e flugel
Marcelo Dworecki - baixo e guitarra